Há uma profundidade em Marx, dificilmente alcançada até mesmo por muitos marxistas, que exige, como categoria cognitiva, a diferenciação entre direitos humanos (liberais e burgueses) da esfera da circulação e os direitos concretos dos reais produtores, dentro da esfera da produção. Não é por acaso que os direitos individuais pregados pelos liberais se circunscrevem à esfera do mercado, onde os trabalhadores praticam a circulação simples enquanto os capitalistas praticam a circulação ampliada das mercadorias. Há um abismo histórico e material entre ambas.
Os direitos humanos são visíveis e negociáveis na arena e na ágora abertas e iluminadas do "mercado" e são passíveis de negociação por estas mesmas razões.
Os direitos dos produtores estão, por outro lado, na esfera oculta da "linha de montagem" da mercadoria, nas relações duras, ásperas e insalubres, que consomem, para além das consciências e das culturas, a carne, os ossos e os músculos dos que vivem no chão da fábrica.
Marx viu, neste jogo duro de ação e produção, a verdadeira origem da alienação e da mais-valia.
A ordem democrática burguesa, que enaltece os direitos individuais, abstratos e mercantilizados, negociáveis em assembléias, evita, por meio deste jogo, a revelação da ditadura absoluta que submete, para além da usurpação das consciências dos trabalhadores, a exploração dos reais produtores e das exigências materiais sob as quais são submetidos.
De toda a produção é que os valores surgem. Somente na produção os direitos podem ser concretos.
Precarizar os produtores é somente uma tentativa de estender a agonia da crise da produção de Valor.
A democracia é um arremedo do livre mercado da negociação dos direitos enquanto perpetua, porta adentro das casas, fábricas e fazendas, na esfera profunda da produção, a ditadura da propriedade privada.
Há algo de novo sob o Sol.
E não é boa coisa.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Universo como simulação. Uma ideia estúpida.
A razão de o universo não ser uma simulação é por demais simples e óbvia.
Podemos especular sobre as dimensões necessárias do simulador, seu consumo de energia e sua construção e empurrar a questão para a esfera metafísica onde o problema da existência do simulador se torna um problema maior do que a existência do universo.
Mas temos uma prova mais ordinária de que o universo não é uma simulação, como segue:
O valor irracional do número Pi, 3,1415926... em nosso universo é uma prova de quem não vivemos em uma simulação. Todas as simulações que temos sido capazes de produzir sempre limitam o número de casas depois da vírgula de acordo com a capacidade de processamento (ponto flutuante).
A precisão é necessária para a simulação e esta deve ser, portanto, finita, bem definida. Deve ser delimitada.
Nenhum sistema que assume o número Pi com seu valor infinitamente irracional, com suas infinitas casas decimais (casas depois da vírgula), pode ser computável.
O universo não é uma simulação.
Ponto.
Podemos especular sobre as dimensões necessárias do simulador, seu consumo de energia e sua construção e empurrar a questão para a esfera metafísica onde o problema da existência do simulador se torna um problema maior do que a existência do universo.
Mas temos uma prova mais ordinária de que o universo não é uma simulação, como segue:
O valor irracional do número Pi, 3,1415926... em nosso universo é uma prova de quem não vivemos em uma simulação. Todas as simulações que temos sido capazes de produzir sempre limitam o número de casas depois da vírgula de acordo com a capacidade de processamento (ponto flutuante).
A precisão é necessária para a simulação e esta deve ser, portanto, finita, bem definida. Deve ser delimitada.
Nenhum sistema que assume o número Pi com seu valor infinitamente irracional, com suas infinitas casas decimais (casas depois da vírgula), pode ser computável.
O universo não é uma simulação.
Ponto.
domingo, 30 de junho de 2013
O surgimento da estratégia do boicote como arma política.
Talvez a forma de ação
mais efetiva que poderá emergir das manifestações populares
organizadas na internet, por meio das redes sociais, - e penso
inevitável seu surgimento – venha a ser os boicotes gerais ou
específicos.
Os boicotes são uma forma muito eficaz de mudar os comportamentos das empresas e governos.
Os boicotes são uma forma muito eficaz de mudar os comportamentos das empresas e governos.
As greves provocam a
paralisação da produção e dependem do grau de organização dos
trabalhadores, são a sua arma política. Ao parar a produção, a greve
ameaça a a saúde econômica das empresas em põe em xeque a geração
de lucros.
Nas sociedades onde a massa de empregados no trabalho produtivo diminui pela intensificação das tecnologias, o mesmo não ocorre do lado do consumo.
O boicote produz o mesmo efeito pelo lado do consumo. E provavelmente um efeito muito mais devastador porque todos são consumidores em uma sociedade onde uma minoria é produtiva em termos industriais.
O boicote pode ir muito além da mudança de comportamentos dos agentes econômicos, levando-os até mesmo, no extremo, à bancarrota.
Quanto mais se expande o número de consumidores com acesso às redes sociais, maior se torna a possibilidade destes se organizarem para impor seus direitos afetados pelas decisões corporativas.
A cidadania que amadurece dentro destas redes irá limitar cada vez mais o raio de ação dos interesses privados, confrontando-os em seu aspecto mais vulnerável, o lucro.
Mais que uma tendência, o boicote se constitui na mais poderosa arma de ação e transformação política.
Nas sociedades onde a massa de empregados no trabalho produtivo diminui pela intensificação das tecnologias, o mesmo não ocorre do lado do consumo.
O boicote produz o mesmo efeito pelo lado do consumo. E provavelmente um efeito muito mais devastador porque todos são consumidores em uma sociedade onde uma minoria é produtiva em termos industriais.
O boicote pode ir muito além da mudança de comportamentos dos agentes econômicos, levando-os até mesmo, no extremo, à bancarrota.
Quanto mais se expande o número de consumidores com acesso às redes sociais, maior se torna a possibilidade destes se organizarem para impor seus direitos afetados pelas decisões corporativas.
A cidadania que amadurece dentro destas redes irá limitar cada vez mais o raio de ação dos interesses privados, confrontando-os em seu aspecto mais vulnerável, o lucro.
Mais que uma tendência, o boicote se constitui na mais poderosa arma de ação e transformação política.
As crises da sociedade. As sociedades como crise.
A crise ambiental, a
crise energética, a crise social, a crise econômica, a crise
financeira, a crise moral, todas estas crises, são fenômenos
derivados da grande crise que é o desarranjo energético da
sociedade da mercadoria, que por sua vez é uma crise da humanidade e
da biosfera.
As formas sociais que esta sociedade assume escamoteiam em grande medida esta crise de maior amplitude que é o desarranjo energético da biosfera por uma de suas espécies, a nossa, mas não do planeta.
As formas sociais que esta sociedade assume escamoteiam em grande medida esta crise de maior amplitude que é o desarranjo energético da biosfera por uma de suas espécies, a nossa, mas não do planeta.
Aqui devemos separar
ambos pois se a biosfera é dependente da existência do planeta, o
inverso não é verdadeiro. A história geológica da Terra está
relacionada com a história da vida sendo esta um processo
superficial e acessório de certos fenômenos geológicos.
A história do planeta
é a história de seu resfriamento até o limite extremo do total
congelamento do núcleo em um futuro distante. A Terra está
esfriando e assim continuará movendo continentes, gerando cadeias de
montanhas e vulcões até o esgotamento da sua energia interior.
A biosfera se ocupa de
interferir marginalmente neste processo planetário seguindo os
ritmos ditados pelos ciclos astronômicos e suas variações, pela
crescente irradiação solar e pela entropia errática do núcleo do
planeta. Dentro deste quadro, a biosfera é secundária e permanecerá
enquanto esta condições maiores estiverem presentes, nos termos de
sua sustentação. Há um fluxo médio de energia que deriva destas
condições e a vida tem variado e se adaptado às mudanças deste
processo, mesmo que não isento de sobressaltos e ameaças de
destruição. A extinção da imensa maioria de todas as espécies
vivas é testemunho disto. Não há espécies melhores ou piores.
Há apenas espécies sobreviventes destes acidentes de maior
escala.
Isto posto, onde se situa a humanidade neste cenário?
Isto posto, onde se situa a humanidade neste cenário?
As sociedades humanas
ainda são construções materiais, concretas e objetivas, produtivas
e degenerativas energeticamente, da história da ignorância de uma
espécie humana que emergiu apenas recentemente da inconsciência
gregária dos mamíferos. E assumem uma forma de patologia
anti-natureza no impulso de sua perpetuação.
A patologia se manifesta porque estas sociedades também são construções culturais e abstratas, que refletem e projetam a ignorância das condições materiais que lhes sustentam e das quais se originaram.
O que talvez seja mais humilhante ainda, frente a presunção de nossa inteligência autoconsciente – porque há muitas outras inteligências inconscientes – é que talvez venhamos a ser apenas mais um experimento falho a se somar a extensa lista de espécies extintas.
A patologia se manifesta porque estas sociedades também são construções culturais e abstratas, que refletem e projetam a ignorância das condições materiais que lhes sustentam e das quais se originaram.
O que talvez seja mais humilhante ainda, frente a presunção de nossa inteligência autoconsciente – porque há muitas outras inteligências inconscientes – é que talvez venhamos a ser apenas mais um experimento falho a se somar a extensa lista de espécies extintas.
A biosfera não
comporta a humanidade tecnológica nos termos impostos pela sociedade
da mercadoria que produz, em última instância, lixo, resíduos de
uma entropia acelerada. Os ciclos naturais não suficientes para
tratar desta sobrecarga artificial que se acumula no ambiente.
É a crise da sociedade
da mercadoria que é, por sua vez, a crise da humanidade vista como
uma desarranjo energético. Uma aceleração da entropia natural do
ambiente.
A produção do lucro
requer a existência de uma máquina produtora e consumidora de
mercadorias que nos absorve e nos isola em suas entranhas, e que aumenta o consumo das reservas
energéticas muito acima da sua capacidade natural de recomposição.
A Sociedade da acumulação e do lucro é uma crise em si mesma deste
ponto de vista.
A mobilização de recursos na biosfera para a (re)produção desta sociedade doentia, desta “febre”, assume um aspecto ainda mais patológico quando move estas engrenagens em benefício não apenas uma espécie, mas em benefício de pequenos grupos ou mesmo espécimes particulares desta espécie. O lucro e a riqueza pessoal dentro desta sociedade é o ápice e o vértice mais visível – e contraditoriamente reforçado culturalmente - de toda esta profunda disfuncionalidade destruidora.
Somente uma espécie doente pode produzir uma sociedade doente. E somente uma sociedade doente pode produzir tantas patologias metafísicas ao ponto de conferir supremo valor mítico e mistificado de um simulacro de sua natureza, representados e enfeixados numa abstração:
O indivíduo, versão semi-deificada do membro alfa do bando.
A mobilização de recursos na biosfera para a (re)produção desta sociedade doentia, desta “febre”, assume um aspecto ainda mais patológico quando move estas engrenagens em benefício não apenas uma espécie, mas em benefício de pequenos grupos ou mesmo espécimes particulares desta espécie. O lucro e a riqueza pessoal dentro desta sociedade é o ápice e o vértice mais visível – e contraditoriamente reforçado culturalmente - de toda esta profunda disfuncionalidade destruidora.
Somente uma espécie doente pode produzir uma sociedade doente. E somente uma sociedade doente pode produzir tantas patologias metafísicas ao ponto de conferir supremo valor mítico e mistificado de um simulacro de sua natureza, representados e enfeixados numa abstração:
O indivíduo, versão semi-deificada do membro alfa do bando.
O presente estado das
sociedades da mercadoria se traduz também em um roubo do futuro, via
desarranjo ambiental, quebrando por antecipação o ritmo natural dos
ciclos do ambiente.
Ao aumentar
geometricamente a população humana através do consumo e produção
de mercadorias, realizado por máquinas que usam energia fóssil em
ritmo e escala muito maiores que as que ocorrem naturalmente, estamos
trazendo para o tempo presente os que deveriam nascer, dados os
processos energéticos da biosfera, no futuro. Estamos antecipando as
gerações e com isso estamos acelerando a nossa extinção quando
desarranjamos a biosfera.
A sociedade da acumulação em sua reprodução também acumula uma enorme quantidade de resíduos e lixo. A manutenção desta ordem social se reverte em desordem acelerada do seu entorno, para além de suas fronteiras.
A sociedade da acumulação em sua reprodução também acumula uma enorme quantidade de resíduos e lixo. A manutenção desta ordem social se reverte em desordem acelerada do seu entorno, para além de suas fronteiras.
No modo atual como
estabelecemos e organizamos nossas sociedades produtoras de
mercadorias neste planeta, tornamo-nos ameaça à biosfera e a nossa
própria sobrevivência.
Caso insistamos neste caminho, certamente a biosfera prevalecerá.
Já sobreviveu a crises maiores que as que eventualmente possamos produzir. O inverso ainda não é verdadeiro e provavelmente nunca será.
Caso insistamos neste caminho, certamente a biosfera prevalecerá.
Já sobreviveu a crises maiores que as que eventualmente possamos produzir. O inverso ainda não é verdadeiro e provavelmente nunca será.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Manifesto pela Democracia Real
Manifesto pela Democracia Real
A humanidade está vivendo um tempo sem precedentes.
Pela primeira vez o planeta torna-se um só lugar, pequeno e conhecido.
Suas diversidades naturais, sociais, culturais, climáticas, geológicas, biológicas só fazem sentido como partes de um todo indivisível, insubstituível e único.
O poder que decide o destino destas diversidades também deve ser único sem ser governo nenhum.
Somente a REDE MUNDIAL DE PESSOAS - INTERNET - pode conter todas as diversidades e permanecer, por sua própria natureza, una.
Somente a INTERNET tem legitimidade para decidir todas as questões da VIDA em todas as suas formas.
Todos os seres humanos têm o direito de se conectar à INTERNET e nela participarem das decisões de sua comunidade local, regional e planetária.
A INTERNET não reconhece como legítima nenhuma outra forma de poder que não ela mesma.
A INTERNET tem o compromisso de propagar a si mesma estendendo o seu alcance sobre todo o planeta, fornecendo os meios e tecnologias necessários para que todas as pessoas de todos os lugares possam conectar-se a ela.
Todas as pessoas atingem o status de cidadãos do mundo quando integram a INTERNET , nela votando todas as questões, matérias, orçamentos e projetos de quaisquer natureza.
A INTERNET dispensa toda e qualquer forma de representatividade política uma vez que a cidadania é inalienável, individual e instantânea.
Nada em qualquer parte do mundo pode ser feito sem que a INTERNET saiba ou aprove. Portanto, nenhum outro interesse, individual ou grupal, privado ou público pode estar acima dos interesses da INTERNET .
A INTERNET proverá aos seus membros todas as informações e meios de difusão necessários para o mais completo conhecimento sobre todos os assuntos, estando desde já abolidas todas as formas presentes e futuras de censura.
A INTERNET é guardiã e depositária de toda história e cultura humanas, de todo conhecimento científico e tecnológico, artístico e espiritual e é seu dever ampliar permanentemente o conjunto destas informações.
A INTERNET tem o dever de divulgar ampla, aberta e irrestritamente todo o conhecimento passado, presente e futuro para que todas as pessoas possam desenvolver seus potenciais.
A humanidade está vivendo um tempo sem precedentes.
Pela primeira vez o planeta torna-se um só lugar, pequeno e conhecido.
Suas diversidades naturais, sociais, culturais, climáticas, geológicas, biológicas só fazem sentido como partes de um todo indivisível, insubstituível e único.
O poder que decide o destino destas diversidades também deve ser único sem ser governo nenhum.
Somente a REDE MUNDIAL DE PESSOAS - INTERNET - pode conter todas as diversidades e permanecer, por sua própria natureza, una.
Somente a INTERNET tem legitimidade para decidir todas as questões da VIDA em todas as suas formas.
Todos os seres humanos têm o direito de se conectar à INTERNET e nela participarem das decisões de sua comunidade local, regional e planetária.
A INTERNET não reconhece como legítima nenhuma outra forma de poder que não ela mesma.
A INTERNET tem o compromisso de propagar a si mesma estendendo o seu alcance sobre todo o planeta, fornecendo os meios e tecnologias necessários para que todas as pessoas de todos os lugares possam conectar-se a ela.
Todas as pessoas atingem o status de cidadãos do mundo quando integram a INTERNET , nela votando todas as questões, matérias, orçamentos e projetos de quaisquer natureza.
A INTERNET dispensa toda e qualquer forma de representatividade política uma vez que a cidadania é inalienável, individual e instantânea.
Nada em qualquer parte do mundo pode ser feito sem que a INTERNET saiba ou aprove. Portanto, nenhum outro interesse, individual ou grupal, privado ou público pode estar acima dos interesses da INTERNET .
A INTERNET proverá aos seus membros todas as informações e meios de difusão necessários para o mais completo conhecimento sobre todos os assuntos, estando desde já abolidas todas as formas presentes e futuras de censura.
A INTERNET é guardiã e depositária de toda história e cultura humanas, de todo conhecimento científico e tecnológico, artístico e espiritual e é seu dever ampliar permanentemente o conjunto destas informações.
A INTERNET tem o dever de divulgar ampla, aberta e irrestritamente todo o conhecimento passado, presente e futuro para que todas as pessoas possam desenvolver seus potenciais.
segunda-feira, 18 de março de 2013
O universo em uma folha de papel.
Imaginemos uma folha de papel, mas um papel especial que não tem espessura.
Fora esta particularidade, é uma folha de tamanho comum, completamente lisa como as que vêm nos pacotes que compramos.
O que podemos dizer sobre a geometria desta folha?
Não possue dobras, não possue ondulações ou curvas nem amassados.
Esta folha tem portanto:
Dobras = 0
Curvas = 0
Amassados = 0
Para todos os fins que seguem, esta folha tem zero dimensões.
Agora imaginemos fazer uma simples dobra nesta folha.
Esta dobra pode ser feita em qualquer posição da folha assim como em qualquer ângulo giratório sobre a superfície.
A primeira dobra obedece a apenas dois parâmetros: Posição e ângulo.
Mesmo assim, quantas possibilidades temos para apenas uma única dobra?
O círculo é dividido em 360º, cada grau em 60' e cada minuto em 60''.
Esta dobra pode ter, então, 60 x 60 x 360 = 12.960.000 de ângulos possíveis. Claro que pode ter muitos mais, mas para nosso exemplo esta divisão arbitrária é suficiente.
Também pode ocorrer em muitas posições diferentes sobre a folha e pode ser feita sobre cada ponto da folha arbitrariamente distintos.
Uma folha ordinária A4 tem 210 mm de largura e 297 mm. Vamos dividir os milímetros por dez numa escala ainda manipulável.
Temos então 2100 x 2970 = 6.237.000 de ponto possíveis para aplicarmos a nossa dobra.
Multiplicando o número de ângulos pelo número de pontos temos 80.831.520.000.000 ( 80,83154 x 10^12) possíveis configurações de uma única dobra em uma folha de nosso papel especial.
Agora nossa folha possue um dobra e uma dimensão.
Segundo a teoria das cordas, existem 10 dimensões espaciais e 1 temporal.
Assim, se fizermos 10 dobras em nossa folha teremos 1,190713988805941 x 10^139 configurações possíveis para a folha de papel.
Na verdade o número não é exatamente este, mas para nosso propósito basta como exemplo de ordem de magnitude.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado quando curvamos o papel de vários modos diferentes. e com múltiplas curvas diferentes.
Agora imaginemos que podemos amassar esta folha de modo aleatório aplicando força, direção, dobras e curvas diferentemente. Quantas configurações possíveis existem para se amassar o papel?
Considerando os limites e as dimensões da nossa folha podemos inferir um número finito próximo de 10^500.
Agora vem a parte mais interessante.
Para todas estas vastíssimas possibilidades estatísticas, existe um, e apenas um, caso particular deste que é neutro ou nulo:
A folha absolutamente plana.
A folha plana é somente um dos muitos estados de dobras, curvaturas e amassos que neste caso equivalem todas a zero.
O mais interessante ainda é que a soma de todas as dobras, curvas e amassos possíveis, em qualquer dos estados possíveis é sempre zero.
Liso ou não, o papel, tem sempre zero como soma de estado total.
A configuração do nosso universo é análoga a uma das possibilidades de configurações de uma folha de papel.
Em nosso universo, as cordas foram "amassadas" de tal modo que permitem a existência de espaço tridimensional, tempo, matéria e energia.
Podemos deduzir que vivemos em um dos inúmeros universos possíveis e que os universos existem porque frente a tamanha diversidade de possibilidades de estados de existência, o não-existir - o equivalente a nossa folha totalmente plana-, é apenas um único e solitário caso.
A existência não depende da criação. Depende muito mais favoravelmente da simples estatística.
Fora esta particularidade, é uma folha de tamanho comum, completamente lisa como as que vêm nos pacotes que compramos.
O que podemos dizer sobre a geometria desta folha?
Não possue dobras, não possue ondulações ou curvas nem amassados.
Esta folha tem portanto:
Dobras = 0
Curvas = 0
Amassados = 0
Para todos os fins que seguem, esta folha tem zero dimensões.
Agora imaginemos fazer uma simples dobra nesta folha.
Esta dobra pode ser feita em qualquer posição da folha assim como em qualquer ângulo giratório sobre a superfície.
A primeira dobra obedece a apenas dois parâmetros: Posição e ângulo.
Mesmo assim, quantas possibilidades temos para apenas uma única dobra?
O círculo é dividido em 360º, cada grau em 60' e cada minuto em 60''.
Esta dobra pode ter, então, 60 x 60 x 360 = 12.960.000 de ângulos possíveis. Claro que pode ter muitos mais, mas para nosso exemplo esta divisão arbitrária é suficiente.
Também pode ocorrer em muitas posições diferentes sobre a folha e pode ser feita sobre cada ponto da folha arbitrariamente distintos.
Uma folha ordinária A4 tem 210 mm de largura e 297 mm. Vamos dividir os milímetros por dez numa escala ainda manipulável.
Temos então 2100 x 2970 = 6.237.000 de ponto possíveis para aplicarmos a nossa dobra.
Multiplicando o número de ângulos pelo número de pontos temos 80.831.520.000.000 ( 80,83154 x 10^12) possíveis configurações de uma única dobra em uma folha de nosso papel especial.
Agora nossa folha possue um dobra e uma dimensão.
Segundo a teoria das cordas, existem 10 dimensões espaciais e 1 temporal.
Assim, se fizermos 10 dobras em nossa folha teremos 1,190713988805941 x 10^139 configurações possíveis para a folha de papel.
Na verdade o número não é exatamente este, mas para nosso propósito basta como exemplo de ordem de magnitude.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado quando curvamos o papel de vários modos diferentes. e com múltiplas curvas diferentes.
Agora imaginemos que podemos amassar esta folha de modo aleatório aplicando força, direção, dobras e curvas diferentemente. Quantas configurações possíveis existem para se amassar o papel?
Considerando os limites e as dimensões da nossa folha podemos inferir um número finito próximo de 10^500.
Agora vem a parte mais interessante.
Para todas estas vastíssimas possibilidades estatísticas, existe um, e apenas um, caso particular deste que é neutro ou nulo:
A folha absolutamente plana.
A folha plana é somente um dos muitos estados de dobras, curvaturas e amassos que neste caso equivalem todas a zero.
O mais interessante ainda é que a soma de todas as dobras, curvas e amassos possíveis, em qualquer dos estados possíveis é sempre zero.
Liso ou não, o papel, tem sempre zero como soma de estado total.
A configuração do nosso universo é análoga a uma das possibilidades de configurações de uma folha de papel.
Em nosso universo, as cordas foram "amassadas" de tal modo que permitem a existência de espaço tridimensional, tempo, matéria e energia.
Podemos deduzir que vivemos em um dos inúmeros universos possíveis e que os universos existem porque frente a tamanha diversidade de possibilidades de estados de existência, o não-existir - o equivalente a nossa folha totalmente plana-, é apenas um único e solitário caso.
A existência não depende da criação. Depende muito mais favoravelmente da simples estatística.
domingo, 10 de junho de 2012
A política nos fóruns ou o efeito (tribal) manada.
Os macacos continuam os
mesmos. Fazem alianças, coçam as costas uns dos outros e massacram
os “inimigos”.
Quem se der o trabalho
de estudar Etologia verá que os humanos são mais símios que
qualquer outra coisa.
Com exceção da
linguagem, que os torna mais tagarelas e nem por isso mais
inteligentes, comportam-se exatamente como nossos primos chimpanzés,
gorilas e bonobos.
Repetem, por ignorância
de sua própria natureza, o mesmo comportamento simiesco e tribal de
afagar seus pares enquanto combatem seus adversários. Grupamentos
genéticos semelhantes, graus de parentesco agregam ou afastam os
macacos.
Evoluímos.
Hoje nos agregamos em nossas igrejas, nossas ideologias, nossas academias e todas as nossas outras crenças tribais sofisticadas que compartilhamos, mas não deixamos de execrar o diferente, o dissidente, o herege. Emocionalmente rejeitamos o que contesta nossas amadas crenças e nossos interesses, com seus respectivos e derivados laços tribais.
Hoje nos agregamos em nossas igrejas, nossas ideologias, nossas academias e todas as nossas outras crenças tribais sofisticadas que compartilhamos, mas não deixamos de execrar o diferente, o dissidente, o herege. Emocionalmente rejeitamos o que contesta nossas amadas crenças e nossos interesses, com seus respectivos e derivados laços tribais.
Sejam quais forem - partidos
políticos, religiões, times esportivos, clubes ou profissões - as identidades culturais de
qualquer ordem reforçam estes laços. Nosso conforto emocional
primata, de coçarmos as costas e alisarmos as crenças uns dos
outros, está na raiz de nossas guerras mais brutais, mais
racionalizadas e mais destrutivas. Mesmo quando nosso sofrimento é
excruciante pela perda do que amamos, justificamo-lo como o
sacrifício necessário que temos que pagar para garantir a
integridade de nossas ilusões.
Sacrificamos tudo
porque não aceitamos a consciência de que somos apenas macacos
ignorantes que desceram das árvores para trepar, ambiguamente, uns nas
costas dos outros. Prontos para amar, prontos igualmente para matar.
Traiçoeiramente.
Traiçoeiramente.
Este comportamento
primata podemos verificar na maior Ágora jamais vista, a
internet. O que nos conecta apenas acaba por nos dividir ainda mais em
tribos cada vez maiores de acordo com nossas falsas necessidades de
segurança e conforto, de conveniências e interesses. Nos fóruns da internet, “tudo se repete, ô
maninha, como antigamente”.
O eterno retorno do macaco que se imagina super-homem. E o símio digitaliza e universaliza sua estupidez.
O eterno retorno do macaco que se imagina super-homem. E o símio digitaliza e universaliza sua estupidez.
Admirável mundo velho.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Lei Cosmológica da Entropia
A razão para a baixa entropia inicial do Universo seria apenas óbvia se não fosse quase uma tautologia.
A resposta está nos graus de liberdade que a energia possuia no início.
Os estados mais entrópicos requerem diferentes e variados graus de liberdade para ocorrer.
No começo do universo o que menos havia era espaço (graus de liberdade) para a ocorrência de estados entrópicos diferenciados.
Quando, na sigularidade original, o grau de liberdade tendia a zero, a Entropia, limitada por esta falta de espaço, também tendia a zero. De outro modo, quando o volume tende a zero, a Entropia tende igualmente a zero.
Resumindo:
Quanto maior o grau de liberdade (espaço), maior o número de estados que o universo pode assumir e maior sua entropia.
Esta lei pode ser enunciada assim:
"A Entropia é igual ao grau de liberdade da energia em um dado sistema. Quando o grau de liberdade tende a zero a entropia tende a zero."
A resposta está nos graus de liberdade que a energia possuia no início.
Os estados mais entrópicos requerem diferentes e variados graus de liberdade para ocorrer.
No começo do universo o que menos havia era espaço (graus de liberdade) para a ocorrência de estados entrópicos diferenciados.
Quando, na sigularidade original, o grau de liberdade tendia a zero, a Entropia, limitada por esta falta de espaço, também tendia a zero. De outro modo, quando o volume tende a zero, a Entropia tende igualmente a zero.
Resumindo:
Quanto maior o grau de liberdade (espaço), maior o número de estados que o universo pode assumir e maior sua entropia.
Esta lei pode ser enunciada assim:
"A Entropia é igual ao grau de liberdade da energia em um dado sistema. Quando o grau de liberdade tende a zero a entropia tende a zero."
domingo, 29 de abril de 2012
O Argumento Cosmológico Marroni - The Cosmological Argument Marroni:
Refutando o Argumento Cosmológico Al Ghazali ou Kalam.
Tudo que começa a existir no tempo tem uma causa;
O universo não existe no tempo;
O universo não tem uma causa.
Everything that begins to exist in the time has a cause,
The universe does not exist in time;
The universe does not have a cause.
Tudo que começa a existir no tempo tem uma causa;
O universo não existe no tempo;
O universo não tem uma causa.
Everything that begins to exist in the time has a cause,
The universe does not exist in time;
The universe does not have a cause.
sábado, 14 de janeiro de 2012
Para a crítica do Marxismo
O pensamento de Karl Marx surge como produto do capitalismo. É gerado dentro da atmosfera do capital, produto de sua época. A natureza dialética da realidade cria seus pares antitéticos dos quais o marxismo nasce e se circunscreve no polo crítico do desenvolvimento do capitalismo. Sua denúncia revela a natureza das profundas contradições do modo de produção capitalista, desvenda seus processos e suas leis fundamentais. Em sua natureza crítica, o marxismo se assenta sobre categorias próprias inerentes ao capital, suas relações e suas consequências. Desenvolvendo seu edifício teórico sobre os fundamentos dessas categorias, o pensamento de Marx desnuda a verdadeira natureza das relações históricas e sociais constituintes do capital e, dialeticamente, completa a obra do capitalismo. Dito de outro modo, o marxismo não se limita apenas na investigação, análise e síntese do que é o capitalismo. É ao mesmo tempo a narrativa historiográfica da existência do capital; É, por assim dizer, seu locutor e comentarista, afastado do seu objeto de estudo. Marx não foi capitalista nem trabalhador e pode assistir e narrar a trama que se desenvolvia perante seus olhos. Conquanto se considere o peso e a densidade de sua obra, marcada pelo rigor do pensamento em elucidar cada meandro da complexidade da sociedade capitalista, não se pode deixar de observar o marxismo como produto desta mesma sociedade. E essa passou a ser o seu limite. A análise marxista da história contemporânea tem seu limite dentro do horizonte do capital, se encerra nas fronteiras do capital. Sua proposta de superação do capitalismo foi formulada partindo de dentro da sociedade capitalista e esta proposta já se encontra, ela mesma, superada. O que deve suceder ao capitalismo não pode ser formulado, engendrado a partir das categorias inerentes ao capital.
O problema central da reprodução material das sociedades humanas deve ser abordado por um pensamento que se inicia fora do âmbito do capitalismo, desvinculado da teoria marxista, irmã antitética do capitalismo.
O marxismo é o horizonte teórico do capitalismo, não tem concorrente a sua altura. Porém, dialeticamente, o capitalismo é o horizonte histórico do marxismo, seu limite. Daí decorre a dificuldade da formulação do pensamento marxista sobre o que deve seguir ao capitalismo. Vale perguntar, como a sociedade humana global irá se reproduzir materialmente de um modo pós-capitalista. Não basta dizer que o capitalismo no desenvolvimento pleno das forças produtivas encontrou seu limite histórico. Deve-se dizer o que fazer com essas forças, como e para quem, a partir do que elas irão agir.
Pode-se admitir agora, em caráter precário, as categorias marxistas apenas como categorias de "transição" para um outro paradigma, para o avanço sobre as fronteiras da terra incógnita do pós-capitalismo. Mas não se pode elaborar o "pós" com as limitações intrísecas dessas categorias.
- As atividades produtivas humanas podem ser chamadas de trabalho. Mas o trabalho sempre foi determinado social e historicamente. E também técnica e ambientalmente. Como quer que venha a ser o trabalho na sociedade pós-capitalista, quais serão suas determinações, seus parâmetros e seus limites?
Um método aproximativo da elaboração desta proposta deve iniciar pela análise e validação dos elementos presentes agora na sociedade capitalista em crise. Destes, verificar quais são os decadentes e os emergentes. Os integradores e desintegradores. Separar o novo do arcaico. Inserir simultaneamente um cunha teórica e forçar a ruptura do paradigma marxista reformulando a base conceitual. Qual a validade do conceito Capital? Os frutos e as relações sociais de produção devem ser transformados na forma-dinheiro? E o valor deve ser determinado pelo trabalho socialmente necessário? O próprio conceito de valor (econômico) deve ser considerado válido?
Indo mais além, a ciência econômica deve sobreviver ao modo de produção que lhe deu origem? Cabe ainda formular a reprodução material da sociedade humana nos termos da Economia Política? Os objetos produzidos pelo conjunto desenvolvido das forças produtivas obviamente possuem valor de uso. Mas devem ter valor de troca? Devem ser convertidos em mercadorias? Podemos elaborar projetos quaisquer sem levar em conta os preços dos componentes?
A troca é inerente à vida nas sociedades humanas, mas deve ela se realizar pela dupla relação de compra e venda?
- Uma ponte é feita de vários materiais e trabalho; o dinheiro não pode, por sua natureza metafísica, ser agregado à ponte. Por que deve fazer parte de seu projeto? O projeto técnico deve ser subordinado ao projeto econômico? Por quê?
Com exceção do seu método, a maior e talvez única contribuição do Marxismo para a superação do capitalismo é o seu abandono, sua extinção.
O problema central da reprodução material das sociedades humanas deve ser abordado por um pensamento que se inicia fora do âmbito do capitalismo, desvinculado da teoria marxista, irmã antitética do capitalismo.
O marxismo é o horizonte teórico do capitalismo, não tem concorrente a sua altura. Porém, dialeticamente, o capitalismo é o horizonte histórico do marxismo, seu limite. Daí decorre a dificuldade da formulação do pensamento marxista sobre o que deve seguir ao capitalismo. Vale perguntar, como a sociedade humana global irá se reproduzir materialmente de um modo pós-capitalista. Não basta dizer que o capitalismo no desenvolvimento pleno das forças produtivas encontrou seu limite histórico. Deve-se dizer o que fazer com essas forças, como e para quem, a partir do que elas irão agir.
Pode-se admitir agora, em caráter precário, as categorias marxistas apenas como categorias de "transição" para um outro paradigma, para o avanço sobre as fronteiras da terra incógnita do pós-capitalismo. Mas não se pode elaborar o "pós" com as limitações intrísecas dessas categorias.
- As atividades produtivas humanas podem ser chamadas de trabalho. Mas o trabalho sempre foi determinado social e historicamente. E também técnica e ambientalmente. Como quer que venha a ser o trabalho na sociedade pós-capitalista, quais serão suas determinações, seus parâmetros e seus limites?
Um método aproximativo da elaboração desta proposta deve iniciar pela análise e validação dos elementos presentes agora na sociedade capitalista em crise. Destes, verificar quais são os decadentes e os emergentes. Os integradores e desintegradores. Separar o novo do arcaico. Inserir simultaneamente um cunha teórica e forçar a ruptura do paradigma marxista reformulando a base conceitual. Qual a validade do conceito Capital? Os frutos e as relações sociais de produção devem ser transformados na forma-dinheiro? E o valor deve ser determinado pelo trabalho socialmente necessário? O próprio conceito de valor (econômico) deve ser considerado válido?
Indo mais além, a ciência econômica deve sobreviver ao modo de produção que lhe deu origem? Cabe ainda formular a reprodução material da sociedade humana nos termos da Economia Política? Os objetos produzidos pelo conjunto desenvolvido das forças produtivas obviamente possuem valor de uso. Mas devem ter valor de troca? Devem ser convertidos em mercadorias? Podemos elaborar projetos quaisquer sem levar em conta os preços dos componentes?
A troca é inerente à vida nas sociedades humanas, mas deve ela se realizar pela dupla relação de compra e venda?
- Uma ponte é feita de vários materiais e trabalho; o dinheiro não pode, por sua natureza metafísica, ser agregado à ponte. Por que deve fazer parte de seu projeto? O projeto técnico deve ser subordinado ao projeto econômico? Por quê?
Com exceção do seu método, a maior e talvez única contribuição do Marxismo para a superação do capitalismo é o seu abandono, sua extinção.
domingo, 6 de novembro de 2011
Princípio da incerteza da função de onda da realidade.
"Ser ou não ser? Eis a questão!"
Ser E não ser, eis a Resposta!
Há dois estados possíveis para a realidade, existir e não-existir. A realidade comporta os dois polos deste par binário. Os universos oscilam entre os dois polos, como um destes dois possíveis estados e muito do que percebemos são posições ondulatórias interferentes entre estes dois estados limites.
Imaginemos uma onda senoidal, análoga a corrente elétrica alternada. O ciclo completo da onda comporta duas amplitudes. Uma amplitude da onda é positiva, um valor arbitrário igual a 1 e a outra amplitude é negativa, tem um valor igual a -1. Em cada ciclo, para a onda como um todo, os dois estados existenciais possíveis e excludentes, estão presentes.
Na amplitude 1 da onda, o universo existe como uma separação provisória, um desdobramento entre a matéria-energia e seu oposto equivalente, o espaço-tempo. Nesta porção da onda o universo existe.
Na amplitude -1, o universo reverte à indiferenciação, não há distinção entre matéria-energia e espaço-tempo. Na amplitude “negativa”, o universo não existe. Em qualquer um dos dois estados a energia total da realidade é sempre zero. Não há nenhuma violação das leis da física. Existir e não-existir são, para cada ciclo completo da onda, equivalentes.
A razão para o universo existir, é, portanto, a mesma para não existir. A existência do universo é uma pergunta sem sentido porque equivale a perguntar porque o universo não existe. A incerteza da existência se distribui sobre todas as diferentes fases possíveis da onda, criando padrões de interferência que determinam as diferentes realidades, os diferentes universos. Inevitavelmente, as interferências se multiplicam e acabam por produzir universos menores que a escala de Planck (10 elevado na -35). Estes universos equivalem às entidades geradas pelas flutuações quânticas. Para universos gerados pelos padrões de interferência que permitem uma amplitude e frequência maiores que a escala de Planck, a matéria-energia pode ser expandir e se desdobrar no espaço-tempo em um universo igual ao que vivemos.
O nosso universo, considerando estes padrões de interferência, existe como um conjunto de incontáveis outros universos infinitesimais, que se manifestam, dadas as suas próprias escalas sub-plânckticas, como matéria e energia, espaço e tempo, constituintes do nosso universo.
Nosso universo é, em macro escala, a soma fractal de todos os possíveis padrões de interferência, do conjunto de universos-partículas que oscilam entre a existência e a não-existência.
O universo que habitamos é constituído de um número infinito de universos que, dentro dos valores inferiores à escala de Planck, vibram entre a existência e a não-existência.
O nosso universo é, afinal, a ordem agregada de n-padrões de interferência, que se traduzem em n-dimensões, onde universos oscilantes se sobrepõe e superpõe em escala fractal.
Universos estroboscópicos.
Quanto dura cada um destes universos? O tempo que cada um leva em um ciclo completo da onda entre existir e não-existir. O tempo que cada oscilação leva para percorrer, por sua vez, cada uma das fases mais longas da ordem seguinte de oscilação em outro nível mais elevado. O Tempo aqui deve ser entendido como a quantidade de oscilações, a frequência, que ocorre até que a extensão de uma oscilação de uma ordem superior seja completamente percorrida. Uma onda que deve percorrer a extensão de uma outra onda maior. Todas as ondas são constituídas por ondas que, por sua vez, por outras ondas são também constituídas, sucessivamente. Ondas sobre ondas, ondas que formam granularmente outras ondas, indefinidamente.
Oscilações em escala sub-plânckticas, de universos que passam do estado existente para o não-existente, dentro do tempo de Planck, conferem a cada um destes universos uma existência virtual e estroboscópica, suficientemente estendida, em seu conjunto, para que se manifestem, em nosso universo, como um contínuo de ondas e partículas reais. As partículas persistem como uma onda oscilatória de probabilidades dentro de uma onda análoga e fractal, em um grau mais elevado, uma frequência menor, uma onda mais longa, que se abre em outra dimensão.
Ciclos oscilatórios mais amplos e mais longos, portanto, são a soma de todos os ciclos mais curtos e de elevada frequência, intermitentes entre existir e não-existir. Nosso universo existe como a dimensão fractal, como a soma espaço-temporal das interferências de infinitas ondas que vibram entre existência e não-existência.
Então, quando aconteceu pela primeira vez? Simples, depois da última.
Há uma fase da onda da realidade que é absolutamente inversa a amplitude atual da onda da realidade. Em outros termos, a onda da realidade, em sua amplitude 1 é simultânea à fase de sua amplitude reversa, -1 e o resultado é indeterminado e indiscernível.
A realidade não só oscila entre a existência e a não-existência no mesmo ciclo da mesma onda, como oscila inversamente na fase contrária da mesma onda. Não há como demonstrar que a realidade existe ou não existe.
Isto equivale a afirmar que o universo, e todos os demais universos, seus múltiplos e suas frações, são versões existentes simultâneas de suas versões não-existentes.
A incerteza reina absoluta.
E a questão da origem do universo responde a si mesma.
Ser E não ser, eis a Resposta!
Há dois estados possíveis para a realidade, existir e não-existir. A realidade comporta os dois polos deste par binário. Os universos oscilam entre os dois polos, como um destes dois possíveis estados e muito do que percebemos são posições ondulatórias interferentes entre estes dois estados limites.
Imaginemos uma onda senoidal, análoga a corrente elétrica alternada. O ciclo completo da onda comporta duas amplitudes. Uma amplitude da onda é positiva, um valor arbitrário igual a 1 e a outra amplitude é negativa, tem um valor igual a -1. Em cada ciclo, para a onda como um todo, os dois estados existenciais possíveis e excludentes, estão presentes.
Na amplitude 1 da onda, o universo existe como uma separação provisória, um desdobramento entre a matéria-energia e seu oposto equivalente, o espaço-tempo. Nesta porção da onda o universo existe.
Na amplitude -1, o universo reverte à indiferenciação, não há distinção entre matéria-energia e espaço-tempo. Na amplitude “negativa”, o universo não existe. Em qualquer um dos dois estados a energia total da realidade é sempre zero. Não há nenhuma violação das leis da física. Existir e não-existir são, para cada ciclo completo da onda, equivalentes.
A razão para o universo existir, é, portanto, a mesma para não existir. A existência do universo é uma pergunta sem sentido porque equivale a perguntar porque o universo não existe. A incerteza da existência se distribui sobre todas as diferentes fases possíveis da onda, criando padrões de interferência que determinam as diferentes realidades, os diferentes universos. Inevitavelmente, as interferências se multiplicam e acabam por produzir universos menores que a escala de Planck (10 elevado na -35). Estes universos equivalem às entidades geradas pelas flutuações quânticas. Para universos gerados pelos padrões de interferência que permitem uma amplitude e frequência maiores que a escala de Planck, a matéria-energia pode ser expandir e se desdobrar no espaço-tempo em um universo igual ao que vivemos.
O nosso universo, considerando estes padrões de interferência, existe como um conjunto de incontáveis outros universos infinitesimais, que se manifestam, dadas as suas próprias escalas sub-plânckticas, como matéria e energia, espaço e tempo, constituintes do nosso universo.
Nosso universo é, em macro escala, a soma fractal de todos os possíveis padrões de interferência, do conjunto de universos-partículas que oscilam entre a existência e a não-existência.
O universo que habitamos é constituído de um número infinito de universos que, dentro dos valores inferiores à escala de Planck, vibram entre a existência e a não-existência.
O nosso universo é, afinal, a ordem agregada de n-padrões de interferência, que se traduzem em n-dimensões, onde universos oscilantes se sobrepõe e superpõe em escala fractal.
Universos estroboscópicos.
Quanto dura cada um destes universos? O tempo que cada um leva em um ciclo completo da onda entre existir e não-existir. O tempo que cada oscilação leva para percorrer, por sua vez, cada uma das fases mais longas da ordem seguinte de oscilação em outro nível mais elevado. O Tempo aqui deve ser entendido como a quantidade de oscilações, a frequência, que ocorre até que a extensão de uma oscilação de uma ordem superior seja completamente percorrida. Uma onda que deve percorrer a extensão de uma outra onda maior. Todas as ondas são constituídas por ondas que, por sua vez, por outras ondas são também constituídas, sucessivamente. Ondas sobre ondas, ondas que formam granularmente outras ondas, indefinidamente.
Oscilações em escala sub-plânckticas, de universos que passam do estado existente para o não-existente, dentro do tempo de Planck, conferem a cada um destes universos uma existência virtual e estroboscópica, suficientemente estendida, em seu conjunto, para que se manifestem, em nosso universo, como um contínuo de ondas e partículas reais. As partículas persistem como uma onda oscilatória de probabilidades dentro de uma onda análoga e fractal, em um grau mais elevado, uma frequência menor, uma onda mais longa, que se abre em outra dimensão.
Ciclos oscilatórios mais amplos e mais longos, portanto, são a soma de todos os ciclos mais curtos e de elevada frequência, intermitentes entre existir e não-existir. Nosso universo existe como a dimensão fractal, como a soma espaço-temporal das interferências de infinitas ondas que vibram entre existência e não-existência.
Então, quando aconteceu pela primeira vez? Simples, depois da última.
Há uma fase da onda da realidade que é absolutamente inversa a amplitude atual da onda da realidade. Em outros termos, a onda da realidade, em sua amplitude 1 é simultânea à fase de sua amplitude reversa, -1 e o resultado é indeterminado e indiscernível.
A realidade não só oscila entre a existência e a não-existência no mesmo ciclo da mesma onda, como oscila inversamente na fase contrária da mesma onda. Não há como demonstrar que a realidade existe ou não existe.
Isto equivale a afirmar que o universo, e todos os demais universos, seus múltiplos e suas frações, são versões existentes simultâneas de suas versões não-existentes.
A incerteza reina absoluta.
E a questão da origem do universo responde a si mesma.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Sublime poesia
Sublime poesia,
Vai encontrá-la em seu sono,
Em seus sonhos,
Dormindo em seu domínio único,
onde ela pode ser livre,
De todos os seus fardos,
De toda aquela carga,
Que repousa,
Neste breve momento,
Distante de seu corpo.
Vai, minha poesia,
pousa silente sobre o seu
travesseiro,
Ao lado de sua beleza dormente,
Rente aos seus cabelos coloridos,
De uma cor ímpar, viva e dourada,
Contrastante a esse mundo cinzento.
Chega mais perto, minha poesia,
Como um daqueles anjos bondosos,
Que cuidam das crianças,
E que, num sussurro cantado,
Faça chegar ao mais fundo canto,
De sua alma-menina,
A mensagem que minhas mais eloquentes palavras,
Nunca foram capazes de levar.
Diga a ela, minha poesia,
Que não há minuto em minha vida,
Que não há célula em minha carne,
Que não há centelha em meu viver,
Que não há papila em meu paladar,
Que não há nota em meu escutar,
Que não há nada em meu ser,
Que não clame por um momento,
Livre, real e verdadeiro,
De simplesmente sentir,
O hálito de seu viver.
Diga, silenciosamente, minha poesia,
Tão alto que ninguém mais possa ouvir,
Tão colorido que ninguém mais possa ver,
Tão saboroso que ninguém mais possa provar,
Tão tocante que ninguém mais possa sentir,
O que ouço,
O que vejo,
O que provo,
O que sinto
Por essa mulher,
Por essa única mulher,
Que, sem saber,
Sem querer,
Tornou-se a melhor parte de mim!
Vai encontrá-la em seu sono,
Em seus sonhos,
Dormindo em seu domínio único,
onde ela pode ser livre,
De todos os seus fardos,
De toda aquela carga,
Que repousa,
Neste breve momento,
Distante de seu corpo.
Vai, minha poesia,
pousa silente sobre o seu
travesseiro,
Ao lado de sua beleza dormente,
Rente aos seus cabelos coloridos,
De uma cor ímpar, viva e dourada,
Contrastante a esse mundo cinzento.
Chega mais perto, minha poesia,
Como um daqueles anjos bondosos,
Que cuidam das crianças,
E que, num sussurro cantado,
Faça chegar ao mais fundo canto,
De sua alma-menina,
A mensagem que minhas mais eloquentes palavras,
Nunca foram capazes de levar.
Diga a ela, minha poesia,
Que não há minuto em minha vida,
Que não há célula em minha carne,
Que não há centelha em meu viver,
Que não há papila em meu paladar,
Que não há nota em meu escutar,
Que não há nada em meu ser,
Que não clame por um momento,
Livre, real e verdadeiro,
De simplesmente sentir,
O hálito de seu viver.
Diga, silenciosamente, minha poesia,
Tão alto que ninguém mais possa ouvir,
Tão colorido que ninguém mais possa ver,
Tão saboroso que ninguém mais possa provar,
Tão tocante que ninguém mais possa sentir,
O que ouço,
O que vejo,
O que provo,
O que sinto
Por essa mulher,
Por essa única mulher,
Que, sem saber,
Sem querer,
Tornou-se a melhor parte de mim!
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Não me pergunte porque te amo
Não me pergunte porque te amo.
Não sei porque.
Não quero entender o porquê.
Além do meu entender,
Se estende o meu amor por você, por terras incógnitas,
Por paragens desconhecidas,
Em águas nunca dantes navegadas.
Por territórios não explorados de minha existência,
Sem mapas ou guias,
Sem norte ou rumo.
Assim se expande meu amor por você.
Muito além dos horizontes que imaginei eternos, conhecidos e sólidos.
Muito mais profundo do que meus mergulhos cotidianos,
Muito mais alto que meus vôos da razão.
Não me pergunte por que amo tanto você.
Quem sabe dele não me diz um única palavra,
Quem sabe desse amor incontido é o continente da minha carne,
O repositório da minha vida que se recusa a dizer o porquê,
Por mais que escute essa pergunta.
Sabe por quê?
Porque ele sabe, na sua mudez, na sua verdade não manifesta, a razão do meu amor por você.
E na sua sabedoria não tem porque me dizer,
Que não tenho porque saber,
O que sei, o que sempre soube, mais que tudo, para muito além de mim,
Que amo você.
Não sei porque.
Não quero entender o porquê.
Além do meu entender,
Se estende o meu amor por você, por terras incógnitas,
Por paragens desconhecidas,
Em águas nunca dantes navegadas.
Por territórios não explorados de minha existência,
Sem mapas ou guias,
Sem norte ou rumo.
Assim se expande meu amor por você.
Muito além dos horizontes que imaginei eternos, conhecidos e sólidos.
Muito mais profundo do que meus mergulhos cotidianos,
Muito mais alto que meus vôos da razão.
Não me pergunte por que amo tanto você.
Quem sabe dele não me diz um única palavra,
Quem sabe desse amor incontido é o continente da minha carne,
O repositório da minha vida que se recusa a dizer o porquê,
Por mais que escute essa pergunta.
Sabe por quê?
Porque ele sabe, na sua mudez, na sua verdade não manifesta, a razão do meu amor por você.
E na sua sabedoria não tem porque me dizer,
Que não tenho porque saber,
O que sei, o que sempre soube, mais que tudo, para muito além de mim,
Que amo você.
"Gott ist tot"
Quando publicou esta declaração, Nietzsche, como homem de seu tempo, estava afirmando que deus deixava de ser o centro do qual emanava o poder absoluto. Deus era retirado de seu domínio pela força das revoluções norte-americana e francesa e a consequente cisão entre o estado e a igreja, da separação entre o poder temporal e o poder espiritual.
A revolução industrial do século XVIII (1700 -1800) promoveu a ascenção de uma nova classe social, proprietária do capital, a burguesia. E esta classe, guiada por seus interesses, promoveu por sua vez novos valores, na época revolucionários, porque desafiavam a ordem social estabelecida. A introdução de métodos científicos de produção, na otimização dos processos fabris, exigiam uma nova racionalidade menos religiosa e mais concreta, exigiam ciência e não orações. Associado a isso, enaltecia-se o valor do indivíduo, senhor absoluto da sua vida privada, como o centro e destino dos empreendimentos capitalistas, em oposição à criatura medieval, que tinha por único objetivo na sua vida a salvação de sua alma. O indivíduo e sua ideologia - o individualismo - nasce como a personificação do sucesso econômico da prosperidade capitalista, ascendendo socialmente apenas por seus próprios méritos pessoais.
Isso se contrapôs ao estado absoluto dos reis e rainhas ungidos por deus e controlado pela igreja católica, a grande potência medieval, onde as classes sociais se dividiam em nobreza, clero e plebe. A plebe se dividia em camponeses, que deviam vassalagem aos nobres por habitarem suas terras, e os burgueses, cidadãos que exerciam as ocupações urbanas como artesãos, banqueiros e comerciantes.
A articulação destes três últimos - artesãos, banqueiros e comerciantes - em torno do novo modo de produção deu origem à burguesia, que emergia dentro da velha ordem como detentora do poder econômico. Seus interesses privados - "laissez faire, laissez aller, laissez passer" - estavam em oposição direta aos do antigo regime monárquico absolutista, no qual os reis eram coroados pela igreja por direito divino e o poder destes derivava de sua escolha ordenada por um representante de deus, conferindo ao clero status político na sociedade. À nobreza cabia a propriedade da terra, fonte do seu ócio, de toda a produção e riqueza e de seu poder como classe social.
A morte de deus nesse processo de substituição do poder espiritual, representado na Terra pelo rei e pelo clero, é o rito de passagem no qual o poder temporal da burguesia torna-se hegemônico, preponderante na sociedade que se consolida no século XIX (1800 - 1900).
Deus sai do centro do poder público da vida e é reduzido a uma dimensão privada, entidade espiritual habitante da esfera das escolhas individuais. Deus deixa de controlar a sociedade com a derrubada da monarquia e se torna um deus íntimo, pessoal, destituído do poder político com a instalação das assembléias nacionais, instâncias democráticas do novo poder burguês.
Nas cidades medievais a arquitetura revela a transformação das sociedades. No centro destas cidades há uma igreja ou uma catedral, habitualmente a maior e mais alta das contruções. A cidade (o burgo) gravitava em torno desse centro espiritual e toda a vida era ordenada e dirigida a partir desse centro. Aos poucos e muito mais evidente nas novas cidades das Américas, o capital e suas maiores instituições, os bancos, passa a ocupar o centro com seus arranha-céus, símbolos do poder temporal e secular. As igrejas ainda por ali permanecem, mas agora apenas como modestas lembranças de um poder e de uma glória que não mais existem.
Assim foi que deus, na morte simbólica anunciada por Nietzsche, não deixou de existir. Não morreu de fato.
Foi cassado em seu poder poítico, substituido pelo poder do capital.
Exilado no íntimo dos indivíduos, deixou de fazer diferença nos negócios.
A revolução industrial do século XVIII (1700 -1800) promoveu a ascenção de uma nova classe social, proprietária do capital, a burguesia. E esta classe, guiada por seus interesses, promoveu por sua vez novos valores, na época revolucionários, porque desafiavam a ordem social estabelecida. A introdução de métodos científicos de produção, na otimização dos processos fabris, exigiam uma nova racionalidade menos religiosa e mais concreta, exigiam ciência e não orações. Associado a isso, enaltecia-se o valor do indivíduo, senhor absoluto da sua vida privada, como o centro e destino dos empreendimentos capitalistas, em oposição à criatura medieval, que tinha por único objetivo na sua vida a salvação de sua alma. O indivíduo e sua ideologia - o individualismo - nasce como a personificação do sucesso econômico da prosperidade capitalista, ascendendo socialmente apenas por seus próprios méritos pessoais.
Isso se contrapôs ao estado absoluto dos reis e rainhas ungidos por deus e controlado pela igreja católica, a grande potência medieval, onde as classes sociais se dividiam em nobreza, clero e plebe. A plebe se dividia em camponeses, que deviam vassalagem aos nobres por habitarem suas terras, e os burgueses, cidadãos que exerciam as ocupações urbanas como artesãos, banqueiros e comerciantes.
A articulação destes três últimos - artesãos, banqueiros e comerciantes - em torno do novo modo de produção deu origem à burguesia, que emergia dentro da velha ordem como detentora do poder econômico. Seus interesses privados - "laissez faire, laissez aller, laissez passer" - estavam em oposição direta aos do antigo regime monárquico absolutista, no qual os reis eram coroados pela igreja por direito divino e o poder destes derivava de sua escolha ordenada por um representante de deus, conferindo ao clero status político na sociedade. À nobreza cabia a propriedade da terra, fonte do seu ócio, de toda a produção e riqueza e de seu poder como classe social.
A morte de deus nesse processo de substituição do poder espiritual, representado na Terra pelo rei e pelo clero, é o rito de passagem no qual o poder temporal da burguesia torna-se hegemônico, preponderante na sociedade que se consolida no século XIX (1800 - 1900).
Deus sai do centro do poder público da vida e é reduzido a uma dimensão privada, entidade espiritual habitante da esfera das escolhas individuais. Deus deixa de controlar a sociedade com a derrubada da monarquia e se torna um deus íntimo, pessoal, destituído do poder político com a instalação das assembléias nacionais, instâncias democráticas do novo poder burguês.
Nas cidades medievais a arquitetura revela a transformação das sociedades. No centro destas cidades há uma igreja ou uma catedral, habitualmente a maior e mais alta das contruções. A cidade (o burgo) gravitava em torno desse centro espiritual e toda a vida era ordenada e dirigida a partir desse centro. Aos poucos e muito mais evidente nas novas cidades das Américas, o capital e suas maiores instituições, os bancos, passa a ocupar o centro com seus arranha-céus, símbolos do poder temporal e secular. As igrejas ainda por ali permanecem, mas agora apenas como modestas lembranças de um poder e de uma glória que não mais existem.
Assim foi que deus, na morte simbólica anunciada por Nietzsche, não deixou de existir. Não morreu de fato.
Foi cassado em seu poder poítico, substituido pelo poder do capital.
Exilado no íntimo dos indivíduos, deixou de fazer diferença nos negócios.
Como seria se você pudesse ver o mundo pelos meus olhos?
Como seria se você pudesse ver o mundo pelos meus olhos?
Você veria as galáxias em fuga? Veria o nascimento das estrelas?
Contaria as incontáveis e fugidias manchas solares?
Teria vertigens de habitar um planeta rodopiante?
Conceberia a dança incessante dos continentes? A erosão implacável dos ventos e das marés?
Se encheria de espanto com a marcha das espécies emergindo da lama em direção ao infinito?
Sentiria o vento que nos balança como folhas efêmeras da longeva árvore da vida?
Perceberia a fragilidade de todas as vidas e o privilégio de estar aqui, agora, contemplando a vastidão do abismo?
Sentaria à beira de um penhasco para observar as vidas humanas fluindo pelas estradas do tempo?
Sentiria as dores do mundo e o desperdício de todas as alegrias, sonhos e esperanças dos que já morreram? E dos que não nasceram?
Choraria - como eu choro - por todas as crianças perdidas, abandonadas, inocentes e punidas?
Lutaria contra os moinhos de vento pelas justas causas (não tão) perdidas?
Ergueria sua cabeça acima dos murmúrios e lamentos mesquinhos do cotidiano para fundar um sentido próprio para a sua vida?
Abandonaria suas pequenas certezas, seu atávico (questionável herança!) e pequeno porto seguro pela busca de si mesmo(a) em águas desconhecidas?
Teria a coragem de trocar seu lugar no mundo pelo estar verdadeiramente no mundo, ousando gravar um inconfundível "eu estive aqui" nas paredes da eternidade?
Aceitaria o alento precário, mas indispensável, do amor que às vezes, raras, raríssimas vezes, goteja sobre nossos corações?
Como seria bom se você pudesse ver o mundo pelos meus olhos...
Como seria bom se você pudesse me ver...
Você veria as galáxias em fuga? Veria o nascimento das estrelas?
Contaria as incontáveis e fugidias manchas solares?
Teria vertigens de habitar um planeta rodopiante?
Conceberia a dança incessante dos continentes? A erosão implacável dos ventos e das marés?
Se encheria de espanto com a marcha das espécies emergindo da lama em direção ao infinito?
Sentiria o vento que nos balança como folhas efêmeras da longeva árvore da vida?
Perceberia a fragilidade de todas as vidas e o privilégio de estar aqui, agora, contemplando a vastidão do abismo?
Sentaria à beira de um penhasco para observar as vidas humanas fluindo pelas estradas do tempo?
Sentiria as dores do mundo e o desperdício de todas as alegrias, sonhos e esperanças dos que já morreram? E dos que não nasceram?
Choraria - como eu choro - por todas as crianças perdidas, abandonadas, inocentes e punidas?
Lutaria contra os moinhos de vento pelas justas causas (não tão) perdidas?
Ergueria sua cabeça acima dos murmúrios e lamentos mesquinhos do cotidiano para fundar um sentido próprio para a sua vida?
Abandonaria suas pequenas certezas, seu atávico (questionável herança!) e pequeno porto seguro pela busca de si mesmo(a) em águas desconhecidas?
Teria a coragem de trocar seu lugar no mundo pelo estar verdadeiramente no mundo, ousando gravar um inconfundível "eu estive aqui" nas paredes da eternidade?
Aceitaria o alento precário, mas indispensável, do amor que às vezes, raras, raríssimas vezes, goteja sobre nossos corações?
Como seria bom se você pudesse ver o mundo pelos meus olhos...
Como seria bom se você pudesse me ver...
O comércio das drogas
O comércio das drogas, como atividade econômica, opera dentro da normalidade da economia capitalista. A ilegalidade deste mercado se conecta a outros mercados ilegais, como contrabando, armas, prostituição, tráfico de seres humanos. Todos esses mercados são ilegais e criminalizados não por razões morais como imaginam os ingênuos e os cínicos, mas por servir aos interesses hegemônicos capitalistas que se utilizam dessas atividades no exercício do poder. O caso Irã-contras é o exemplo acabado de como as atividades ilegais são intrumentalizadas com fins políticos. O crime não é uma distorção dentro do capitalismo mas um dos seus centros mais dinâmicos para a acumulação primitiva de capital. A ilegalidade dessas atividades, ao contrário do que imagina a maioria das pessoas, tem por finalidade colocá-las FORA do alcance do controle da sociedade e permite mantê-las em operação com a complacência corrupta das autoridades públicas. O estado "tributa" essas atividades através das propinas pagas ao aparato policial e judiciário. O "combate" às drogas na verdade é todo um sistema que permite esse mercado continuar a operar e se ampliar fora do controle formal da sociedade. A lógica do poder é simples mas está oculta por trás da neblina legalista que embaça a visão do cidadão comum.
sábado, 13 de agosto de 2011
A PROVA DA NÃO-EXISTÊNCIA DE DEUS
Na medida que, historicamente, desenvolvem-se a razão e a ciência, os deuses são substituídos pelo conhecimento e pela compreensão do fenômenos naturais. Foram ficando cada vez mais improváveis até o ponto em que se tornaram impossíveis. Foram sendo empurrados para fora da realidade e se refugiaram nos recessos obscuros da metafísica. Lá podem ter quaisquer atributos imaginários onde são apenas isso, imaginários.
A prova da não-existência de deus não é uma prova contra qualquer deus, mas contra o deus que é:
Onisciente, onipotente, onipresente, transcendental, imaterial, atemporal, pessoal e necessário.
E este é o mais perfeito, mais completo deus concebível pela metafísica e seus derivados. É a suprema concepção divina, frente a qual todos os outros deuses se apequenam em suas insuficiências e falta de predicados.
A primeira parte da prova está nesta própria definição. Há uma óbvia contradição entre ser "onisciente, onipotente, onipresente" e "imaterial, atemporal" simultaneamente. No universo da matéria, da energia, do espaço e do tempo, os primeiros atributos só podem ser verdadeiros se houver pelo menos uma parte de deus que seja material e temporal. Senão, não há como exercer a onipotência, a onisciência e a onipresença no âmbito do nosso universo.
Nenhuma potência que não pode ser vertida por fontes de energia utilizável, causará qualquer efeito sobre os eventos deste universo.
Nenhuma presença que não pode ser traduzida, experimentada, efetivada em algum tipo de matéria, que não assuma uma corporalidade material, que não ocupe algum lugar no espaço - ainda mais supostamente presente em todo o espaço - pode ser detectada e interagir neste universo.
Conquanto informação no universo é, necessariamente, energia, particularmente energia eletromagnética, qualquer entidade que se supõe onisciente deve, imperiosamente, ser capaz de ler as informações que são transmitidas por estas ondas energéticas. Tem de haver pelo menos um receptor sensível, vale dizer material, para todas as informações, capaz de detectá-las e permitir o efeito da onisciência. E o alcance deste receptor, neste nosso universo, é limitado pela natureza ondulatória da energia, por sua velocidade. Seriam necessários infinitos receptores para que o atributo da onisciência fosse verdadeiro, o que implica que em todos os lugares do universo haveria receptores presentes - a onipresença material. Desse modo só poderia haver um universo no qual todo o espaço é preenchido pela materialidade dos receptores de deus. Caso contrário, deus seria dependente da velocidade da luz, do tempo que a informação leva para ser transmitida e recebida, o que implica em submeter-se deus à temporalidade.
Portanto, ser "onisciente, onipotente, onipresente" e "imaterial, atemporal" simultaneamente é uma impossibilidade absoluta.
OU:
1- Deus é imaterial, atemporal E - por isso - inconsciente, ausente e impotente de modo absoluto.
OU:
2- Deus é (precariamente) onisciente, onipotente, onipresente E material e temporal;
No primeiro caso, não existe.
No segundo caso, esse deus pode existir apenas mutilado em seus maiores atributos porque a materialidade e temporalidade são limitações absolutas para a onisciência, a onipresença e onipotência. Esse deus sem os seus atributos plenos não é Deus.
Examinemos agora o argumento que está implícito na formulação deste conjunto de atributos. Deus seria a Totalidade, a soma de tudo que existe, maior que o universo conhecido, universo que seria, neste caso, apenas uma de suas partes. A dificuldade reside exatamente aí: Se o universo espaço-temporal, da matéria-energia, é parte de deus, pelo menos esta parte de deus é determinada pelas condições locais de tempo e matéria. Pelo menos esta porção de deus, necessariamente, não é imaterial e atemporal. A temporalidade e a materialidade deste nosso universo-parte impõe que deus seja simultaneamente, no mínimo, material e imaterial, temporal e atemporal. O que equivale dizer que deus é, no máximo, parcialmente onisciente, parcialmente onipontente e parcialmente onipresente. Evidentemente um absurdo. O que é parcial não é obviamente 'Omni' (do latim 'omne' todo, inteiro).
Logo, deus, na condição de totalidade que deriva do conjunto inicial dos seus atributos, não pode existir por contradizer e negar esses mesmos atributos. Finalmente, para que deus possa existir com todos os seus atributos preservados, teríamos que remover o nosso universo, onde estes atributos são simultaneamente impossíveis, da totalidade. O que equivale dizer que a existência do universo torna deus irrelevante, no melhor dos casos, e no pior e mais provavel, impossível. O universo é a prova da não-existência de deus.
Como escrevi inicialmente, esses argumentos por si já são suficientes para negar a existência desse deus.
Há ainda outros argumentos que provam a não-existência de deus e emergem dos últimos dois atributos divinos descritos acima. Primeiro, vamos descartar o ítem 'transcendental' como apenas uma expressão dependente de significado em relação aos outros atributos. É apenas uma redundância do imaterial e atemporal.
Porque um deus "onisciente, onipotente, onipresente, transcendental, imaterial, atemporal, pessoal e necessário" não é, afinal, auto-evidente? Por que uma entidade com tais atributos - esqueçamos as contradições por um momento - não está permanentemente, majestaticamente, irrefutavelmente diante de nós? Por que não é universalmente aceito como óbvio, real e verdadeiro? Por que precisa ser ensinado? Por que não é reconhecido instantaneamente por todos os seres conscientes? Por que é desconhecido por ampla parcela da humanidade?
Se é 'pessoal', então todos os seres humanos deveriam ser capazes de reconhecê-lo instantaneamente como parte integrante de sua própria natureza. O aspecto pessoal de tal natureza divina deveria ser tão óbvio que, quando adquiríssemos auto-consciência, diríamos "eu existo e deus também como parte intrínseca, inalienável de mim, assim como sou parte dele!". Todas as crianças do mundo, no nascimento ou quando se auto-descobrissem, sem qualquer outra influência, descobririam simultaneamente deus em sua própria pessoa. Mas não é o que ocorre, esse deus, ou todos os outros, precisam ser ensinados pelos pais ou pelo menos, mais tarde, pela tribo na qual as crianças nasceram. O que nos remete ao último atributo, o deus necessário.
Se deus é pessoal e necessário então todos os seres humanos não apenas o descobririam por sim mesmos mas, também e principalmente, não poderiam sequer viver sem ele. Esse deus seria mais importante e vital que o ar, sem o qual morreríamos em poucos minutos. Sem esse deus, qualquer um deixaria de viver instantaneamente, dada a sua suposta necessidade para todos os seres humanos. Mas, misteriosamente, diferentemente do ar que é impossível negar sua existência e imediata necessidade, há muitos humanos que simplesmente continuam a viver sem saber sequer da existência deste debate, quanto mais deste deus. Ignoram este deus com todos os seus atributos e esse debate que o cerca. O que leva a inevitável conclusão de que se houvesse esse deus não haveria sequer dúvidas, quanto mais ateus. Ninguém seria insano de negar a existência do que necessita para viver. Ninguém pode negar o ar, a luz solar e a água como vitais e necessários. Se há alguém que ignora deus, ou que, tendo-o conhecido, duvida e o nega é porque simplesmente esse deus onisciente, onipotente, onipresente, transcedental, imaterial, atemporal, pessoal e necessário, é apenas e inexoravelmente uma invenção não muito inteligente.
Um deus que não sabe, não tem consciência daqueles que o ignoram, não é onisciente; Um deus que não está presente em todos os lugares para ser inegavelmente percebido não é onipresente; Um deus que não pode provar incontestavelmente ao menos a sua própria existência, não é onipotente; Um deus que não se manifesta imediatamente na dimensão da consciência individual de cada um, não é pessoal e, finalmente; Um deus que não faz da vida de todos nós dependentes de sua existência, não é sequer necessário.
Em última instância, um deus "onisciente, onipotente, onipresente, transcendental, imaterial, atemporal, pessoal e necessário" - além de ser uma contradição nos próprios termos - que pode ser negado, só pode existir como uma invenção metafísica do cérebro primata. Portanto, não existe.
A prova da não-existência de deus não é uma prova contra qualquer deus, mas contra o deus que é:
Onisciente, onipotente, onipresente, transcendental, imaterial, atemporal, pessoal e necessário.
E este é o mais perfeito, mais completo deus concebível pela metafísica e seus derivados. É a suprema concepção divina, frente a qual todos os outros deuses se apequenam em suas insuficiências e falta de predicados.
A primeira parte da prova está nesta própria definição. Há uma óbvia contradição entre ser "onisciente, onipotente, onipresente" e "imaterial, atemporal" simultaneamente. No universo da matéria, da energia, do espaço e do tempo, os primeiros atributos só podem ser verdadeiros se houver pelo menos uma parte de deus que seja material e temporal. Senão, não há como exercer a onipotência, a onisciência e a onipresença no âmbito do nosso universo.
Nenhuma potência que não pode ser vertida por fontes de energia utilizável, causará qualquer efeito sobre os eventos deste universo.
Nenhuma presença que não pode ser traduzida, experimentada, efetivada em algum tipo de matéria, que não assuma uma corporalidade material, que não ocupe algum lugar no espaço - ainda mais supostamente presente em todo o espaço - pode ser detectada e interagir neste universo.
Conquanto informação no universo é, necessariamente, energia, particularmente energia eletromagnética, qualquer entidade que se supõe onisciente deve, imperiosamente, ser capaz de ler as informações que são transmitidas por estas ondas energéticas. Tem de haver pelo menos um receptor sensível, vale dizer material, para todas as informações, capaz de detectá-las e permitir o efeito da onisciência. E o alcance deste receptor, neste nosso universo, é limitado pela natureza ondulatória da energia, por sua velocidade. Seriam necessários infinitos receptores para que o atributo da onisciência fosse verdadeiro, o que implica que em todos os lugares do universo haveria receptores presentes - a onipresença material. Desse modo só poderia haver um universo no qual todo o espaço é preenchido pela materialidade dos receptores de deus. Caso contrário, deus seria dependente da velocidade da luz, do tempo que a informação leva para ser transmitida e recebida, o que implica em submeter-se deus à temporalidade.
Portanto, ser "onisciente, onipotente, onipresente" e "imaterial, atemporal" simultaneamente é uma impossibilidade absoluta.
OU:
1- Deus é imaterial, atemporal E - por isso - inconsciente, ausente e impotente de modo absoluto.
OU:
2- Deus é (precariamente) onisciente, onipotente, onipresente E material e temporal;
No primeiro caso, não existe.
No segundo caso, esse deus pode existir apenas mutilado em seus maiores atributos porque a materialidade e temporalidade são limitações absolutas para a onisciência, a onipresença e onipotência. Esse deus sem os seus atributos plenos não é Deus.
Examinemos agora o argumento que está implícito na formulação deste conjunto de atributos. Deus seria a Totalidade, a soma de tudo que existe, maior que o universo conhecido, universo que seria, neste caso, apenas uma de suas partes. A dificuldade reside exatamente aí: Se o universo espaço-temporal, da matéria-energia, é parte de deus, pelo menos esta parte de deus é determinada pelas condições locais de tempo e matéria. Pelo menos esta porção de deus, necessariamente, não é imaterial e atemporal. A temporalidade e a materialidade deste nosso universo-parte impõe que deus seja simultaneamente, no mínimo, material e imaterial, temporal e atemporal. O que equivale dizer que deus é, no máximo, parcialmente onisciente, parcialmente onipontente e parcialmente onipresente. Evidentemente um absurdo. O que é parcial não é obviamente 'Omni' (do latim 'omne' todo, inteiro).
Logo, deus, na condição de totalidade que deriva do conjunto inicial dos seus atributos, não pode existir por contradizer e negar esses mesmos atributos. Finalmente, para que deus possa existir com todos os seus atributos preservados, teríamos que remover o nosso universo, onde estes atributos são simultaneamente impossíveis, da totalidade. O que equivale dizer que a existência do universo torna deus irrelevante, no melhor dos casos, e no pior e mais provavel, impossível. O universo é a prova da não-existência de deus.
Como escrevi inicialmente, esses argumentos por si já são suficientes para negar a existência desse deus.
Há ainda outros argumentos que provam a não-existência de deus e emergem dos últimos dois atributos divinos descritos acima. Primeiro, vamos descartar o ítem 'transcendental' como apenas uma expressão dependente de significado em relação aos outros atributos. É apenas uma redundância do imaterial e atemporal.
Porque um deus "onisciente, onipotente, onipresente, transcendental, imaterial, atemporal, pessoal e necessário" não é, afinal, auto-evidente? Por que uma entidade com tais atributos - esqueçamos as contradições por um momento - não está permanentemente, majestaticamente, irrefutavelmente diante de nós? Por que não é universalmente aceito como óbvio, real e verdadeiro? Por que precisa ser ensinado? Por que não é reconhecido instantaneamente por todos os seres conscientes? Por que é desconhecido por ampla parcela da humanidade?
Se é 'pessoal', então todos os seres humanos deveriam ser capazes de reconhecê-lo instantaneamente como parte integrante de sua própria natureza. O aspecto pessoal de tal natureza divina deveria ser tão óbvio que, quando adquiríssemos auto-consciência, diríamos "eu existo e deus também como parte intrínseca, inalienável de mim, assim como sou parte dele!". Todas as crianças do mundo, no nascimento ou quando se auto-descobrissem, sem qualquer outra influência, descobririam simultaneamente deus em sua própria pessoa. Mas não é o que ocorre, esse deus, ou todos os outros, precisam ser ensinados pelos pais ou pelo menos, mais tarde, pela tribo na qual as crianças nasceram. O que nos remete ao último atributo, o deus necessário.
Se deus é pessoal e necessário então todos os seres humanos não apenas o descobririam por sim mesmos mas, também e principalmente, não poderiam sequer viver sem ele. Esse deus seria mais importante e vital que o ar, sem o qual morreríamos em poucos minutos. Sem esse deus, qualquer um deixaria de viver instantaneamente, dada a sua suposta necessidade para todos os seres humanos. Mas, misteriosamente, diferentemente do ar que é impossível negar sua existência e imediata necessidade, há muitos humanos que simplesmente continuam a viver sem saber sequer da existência deste debate, quanto mais deste deus. Ignoram este deus com todos os seus atributos e esse debate que o cerca. O que leva a inevitável conclusão de que se houvesse esse deus não haveria sequer dúvidas, quanto mais ateus. Ninguém seria insano de negar a existência do que necessita para viver. Ninguém pode negar o ar, a luz solar e a água como vitais e necessários. Se há alguém que ignora deus, ou que, tendo-o conhecido, duvida e o nega é porque simplesmente esse deus onisciente, onipotente, onipresente, transcedental, imaterial, atemporal, pessoal e necessário, é apenas e inexoravelmente uma invenção não muito inteligente.
Um deus que não sabe, não tem consciência daqueles que o ignoram, não é onisciente; Um deus que não está presente em todos os lugares para ser inegavelmente percebido não é onipresente; Um deus que não pode provar incontestavelmente ao menos a sua própria existência, não é onipotente; Um deus que não se manifesta imediatamente na dimensão da consciência individual de cada um, não é pessoal e, finalmente; Um deus que não faz da vida de todos nós dependentes de sua existência, não é sequer necessário.
Em última instância, um deus "onisciente, onipotente, onipresente, transcendental, imaterial, atemporal, pessoal e necessário" - além de ser uma contradição nos próprios termos - que pode ser negado, só pode existir como uma invenção metafísica do cérebro primata. Portanto, não existe.
A Inutilidade das religiões.
Se deus não existe as religiões não fazem sentido.
Se deus existe e somos seus filhos, nenhuma religião pode cancelar a paternidade divina.
Se deus existe e NÃO somos seus filhos, nenhuma religião pode atribuir esta paternidade.
Em qualquer caso, as religiões são inúteis.
Se deus não existe as religiões não fazem sentido.
Se deus existe e somos seus filhos, nenhuma religião pode cancelar a paternidade divina.
Se deus existe e NÃO somos seus filhos, nenhuma religião pode atribuir esta paternidade.
Em qualquer caso, as religiões são inúteis.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
O Vício Patrimonialista e o Futuro do Brasil.
Longe de querer esgotar o assunto, procuro introduzir o debate com viés político sobre um dos aspectos determinantes da identidade brasileira.
Uma das grandes dificuldades do Brasil se constituir em uma economia verdadeiramente capitalista é a cultura patrimonialista que define a ideologia das elites nacionais desde a fundação da colônia.
É um vício cultural que confunde riqueza com posse, com propriedade, não com a produção de riqueza mas com a aquisição de ativos, com a acumulação de patrimônio. A propriedade aqui não é vista como propriedade dos meios de produção, como capital para acumulação de mais capital através do ciclo da mercadoria. Na visão patrimonialista, a propriedade de ativos de qualquer natureza é vista como um fim em si mesma, como o objetivo final de toda ação empreendedora. E se essa propriedade render dividendos na forma de aluguéis, juros ou outras rendas passivas, melhor ainda. Esse último aspecto é a meta suprema da elite patrimonialista, viver de rendas e nunca trabalhar. Então todo o empenho está dirigido para a construção de patrimônios por quaisquer meios, sendo o assalto ao estado o principal veio, a forma histórica de acumulação de riqueza desde a primeira distribuição das terras no país com as capitanias hereditárias.
A formação da elite econômica do Brasil foi determinada e ainda está em curso pela aquisição criminosa de terras, terrenos, imóveis e outros bens públicos que são apropriados pela fraude, pelo favoritismo, pela corrupção, pela grilagem. A propriedade vista com símbolo e veículo da riqueza importa não em trabalho, porque o trabalho é atividade de escravos, de pobres, de camponeses, eternos peões a serviços da fidalguia nacional. O trabalho é negativado como valor e condição social, como um castigo imposto aqueles que não possuem nenhum patrimônio, e que não devem possuí-lo - o patrimônio - porque este os emanciparia da condição de inferiores.
Então o meio para a conquista da riqueza não pode ser o trabalho. Na visão da nossa fidalguia, segundo Jorge Caldeira em Mauá - Empresário do Império, o trabalho é não apenas indigno como uma afronta aos bens nascidos. O trabalho é destinado aos pobres que devem produzir para que seus senhores se beneficiem dos lucros e com estes adquirir mercadorias finas, caras e extravagantes, exclusivamente importadas. Tudo que é bom é estrangeiro pago com o nosso melhor exportado.
Uma longa tradição consolidada de rapinagem, por meio da apropriação de terras para a exploração de atividades primárias destinadas à exportação, definiu o Brasil colônia. A propriedade é vista nesse contexto como um mecanismo brutal de geração de riqueza com o esgotamento dos recursos, pela completa exaustão deste capital natural associado ao consumo de mão-de-obra escrava até a morte. Mas a atividade econômica desta natureza, mesmo que manifeste algumas características da produção capitalista, como a produção voltada para o mercado, a forma de organização da produção em série (engenho de açucar), não pode ser definida como capitalista porque seu núcleo não é dirigido para a acumulação de capital. As trocas desiguais entre a colônia e a matriz européia permitem à elite colonial uma vida rica no meio de uma população de miseráveis, mas impedem o ciclo de reprodução autônomo do capital. Os lucros vindos da exploração do patrimônio se transformam tão somente em renda para o consumo dessas mesmas elites, o que forma sua percepção da origem da riqueza e define toda estrutura social do país. A história econômica do Brasil é moldada pela predação dos recursos naturais abundantes, tão abundantes que pareciam inesgotáveis e o comércio fornecedor de escravos, outra atividade lucrativa, que parecia também fonte inexaurível de mão-de-obra.
Na visão que vai se consolidando, a riqueza se constitui na propriedade de terras e escravos, recursos levados ao esgotamento pela exploração ilimitada, na produção de matérias-primas primárias. A noção de que o trabalho gera a riqueza fica desse modo oculta sob o manto da propriedade, parecendo que dessa se origina a prosperidade. O lucro gerado pela atividade assim constituida é muito mais determinado pela não remuneração dos meios de produção, principalmente os naturais, como a fertildade do solo, as florestas, etc. do que pela racionalização capitalista da produção. Lembremos ainda que o trabalho produtivo durante a maior parte de nossa história foi realizado por escravos de origem africana, que eram considerados também propriedade e capital. Historicamente o nível técnico da atividade produtiva sempre foi precário e ineficiente, suficiente apenas para cobrir os custos e geram a renda para o consumo e reposição da mão-de-obra. O atraso técnico implicava em baixa produtividade, o que se converte, do ponto de vista dos recursos naturais, em grandes desperdícios.
A atividade econômica no Brasil ficou muitos séculos nesse limbo pré-capitalista e a visão de mundo que produziu é constituinte ainda de grande parte da ideologia dominante das elites nacionais. Com o vício perceptivo de que a origem da riqueza está no patrimônio e não no trabalho, outros vícios agregam-se a este formando uma percepção de mundo peculiar. A persistência das formas arcaicas de exploração que misturam modernidade com escravatura mostram a resistência que enfrenta no país o capitalismo industrial. À indústria foi negado por muito tempo o reconhecimento da capacidade de gerar riquezas deste lado do equador. Importava mais possuir do que produzir.
Como reforço dessa visão, a riqueza parece se multiplicar pela valorização passiva das propriedades na forma de terras e terrenos, e de outros ativos que magicamente aumentam de valor pela especulação. O investimento patrimonialista é sobretudo imobiliário e a maior parte do esforço se concentra na aquisição de propriedades de imóveis. Terras da União, terras públicas que são ocupadas ilegalmente, terrenos públicos que são cedidos gratuitamente, ou vendidos por valores simbólicos aos amigos do poder, despropriação violenta e criminosa de pequenos proprietários urbanos e rurais, concentração de terras para especulação são origem de grande parte da riqueza patrimonial das elites brasileiras.
Nessa visão patrimonialista, o estado é visto como o grande provedor de ativos e que a conquista do poder é a garantia da continuidade desse processo de acumulação primitiva de capital. O enriquecimento no Brasil é visto como o acúmulo de patrimônio por todo e qualquer meio e a práxis derivada deste processo é a corrupção. A troca de favores entre os detentores de postos de poder no aparelho do estado em todas as suas instâncias torna-se regra e perpetua o patrimonialismo. O crime torna-se atividade normal e normalizadora dos processos de enriquecimento. Sonegação de impostos, compras superfaturadas, tráfico de influência, tráfico de drogas, contrabando, obras publicas que valorizam regiões atingidas pela especulação, corrupção em todos os níveis do poder público todas as outras fraudes, compadrio, nepotismo, constituem-se não em desvios mas o núcleo do mecanismo de apropriação patrimonialista.
Muito tardiamente emerge a percepção de que a atividade produtiva nos moldes do capitalismo moderno também, mas não exclusivamente, produz riqueza na forma de mercadorias. Mas mesmo aqueles capitalistas nacionais que são proprietários de empresas produtoras de mercadorias, guardam uma relação de proximidade ideológica com as elites tradicionais e com ela forma alianças políticas para a conquista do estado. Também desejam a acumulação de patrimônio como objetivo final de sua atividade produtiva. É comum no Brasil, entre as empresas familiares, estas se constiturem em "empresas pobres de donos ricos" que procuram o lucro pelos mesmos mecanismos não capitalistas na sua atividade. A esperteza nacional se manifesta na busca por benefícios indiretos, não relacionados com a atividade principal. Esses benefícios podem ser na forma de isenção e incentivo fiscal ou sonegação pura e simples, podem ser na forma de trabalho escravo, no não recolhimento de encargos trabalhistas, no não pagamento de horas extras, na receptação de mercadorias roubadas ( o caso de roubo de cargas sob encomenda que virou uma grande indústria), nas compras fraudulentas, no fornecimento superfaturado às entidades públicas, nas licitações viciadas e cartelizadas, etc.. A lista é longa.
Mas o que se destaca desse quadro generalizante, mesmo que não completo, é o papel que o estado assume no processo de promover o enriquecimento daqueles que nele ocupam cargos de poder.
E a democratização do Brasil trouxe à cena novos atores que se candidatam, literalmente, a ocupar o poder para favorecimento de seus padrinhos e partidos.
Talvez essa nova rapinagem ou, dito de outra forma, esse neo-patrimonialismo seja uma etapa necessária ao amadurecimento da democracia brasileira, mesmo a um custo absurdo. Porque a democracia tem favorecido, mais do que inibido, as práticas criminosas de roubo do estado. Porque agora lideranças políticas emergentes que entram no jogo viciado pela porta legítima da eleição, também recorrem aos mecanismos criminosos para atender os interesses de seu grupo.
Porque, com a democracia, se multiplicaram os cargos públicos a serem ocupados politicamente e com eles as oportunidades para a fraude. O estado é fragmentado, leiloado de acordo com o cacife politico de cada grupo ou partido, formando feudos a serem explorados. Numa linguagem mais contemporânea, são "nichos de mercado" políticos, que têm por objetivo final permitir o enriquecimento dessas verdadeiras máfias pela espoliação do estado. Onde for possível fraudar e roubar, seguramente isso será tentado.
Por todas essas razões é que assistimos os discursos que quando falam em promover a educação, constroem-se escolas que nunca vão funcionar, que quando falam em saúde, constroem-se hospitais sem médicos nem equipamentos, quando falam em transporte constroem-se estradas e pontes que levam a lugar nenhum.
Se a qualidade do serviço público é precária é porque não é possível roubar dos salários de médicos, policiais e professores; então paga-se mal para gastar onde são maiores as chances de fraude, como nas compras e obras públicas.
O que é assombroso é perceber a ausência ou tibieza política dos grupos capitalistas emergentes beneficiados pela expansão e consolidação do mercado interno. Provavelmente ainda permanecem imersos dentro da ideologia patrimonialista sem perceber que esta tradição secular brasileira é um obstáculo a sua prosperidade. Por inércia e ou deslumbramento acabam aderindo a uma ideologia que deveriam combater. Surprendente é a falta de percepção deste grupo para os mecanismos e políticas públicas que favoreçam a continua expansão dos mercados internos e com ela a sua própria prosperidade. Apenas para exemplificar, uma reforma agrária capitalista com a democratização da propriedade da terra, transformaria esses pequenos novos proprietários em um gigantesco mercado consumidor de todo o tipo de mercadoria, incluindo aí desde insumos e máquinas agrícolas até artigos de varejo.
Uma das grandes dificuldades do Brasil se constituir em uma economia verdadeiramente capitalista é a cultura patrimonialista que define a ideologia das elites nacionais desde a fundação da colônia.
É um vício cultural que confunde riqueza com posse, com propriedade, não com a produção de riqueza mas com a aquisição de ativos, com a acumulação de patrimônio. A propriedade aqui não é vista como propriedade dos meios de produção, como capital para acumulação de mais capital através do ciclo da mercadoria. Na visão patrimonialista, a propriedade de ativos de qualquer natureza é vista como um fim em si mesma, como o objetivo final de toda ação empreendedora. E se essa propriedade render dividendos na forma de aluguéis, juros ou outras rendas passivas, melhor ainda. Esse último aspecto é a meta suprema da elite patrimonialista, viver de rendas e nunca trabalhar. Então todo o empenho está dirigido para a construção de patrimônios por quaisquer meios, sendo o assalto ao estado o principal veio, a forma histórica de acumulação de riqueza desde a primeira distribuição das terras no país com as capitanias hereditárias.
A formação da elite econômica do Brasil foi determinada e ainda está em curso pela aquisição criminosa de terras, terrenos, imóveis e outros bens públicos que são apropriados pela fraude, pelo favoritismo, pela corrupção, pela grilagem. A propriedade vista com símbolo e veículo da riqueza importa não em trabalho, porque o trabalho é atividade de escravos, de pobres, de camponeses, eternos peões a serviços da fidalguia nacional. O trabalho é negativado como valor e condição social, como um castigo imposto aqueles que não possuem nenhum patrimônio, e que não devem possuí-lo - o patrimônio - porque este os emanciparia da condição de inferiores.
Então o meio para a conquista da riqueza não pode ser o trabalho. Na visão da nossa fidalguia, segundo Jorge Caldeira em Mauá - Empresário do Império, o trabalho é não apenas indigno como uma afronta aos bens nascidos. O trabalho é destinado aos pobres que devem produzir para que seus senhores se beneficiem dos lucros e com estes adquirir mercadorias finas, caras e extravagantes, exclusivamente importadas. Tudo que é bom é estrangeiro pago com o nosso melhor exportado.
Uma longa tradição consolidada de rapinagem, por meio da apropriação de terras para a exploração de atividades primárias destinadas à exportação, definiu o Brasil colônia. A propriedade é vista nesse contexto como um mecanismo brutal de geração de riqueza com o esgotamento dos recursos, pela completa exaustão deste capital natural associado ao consumo de mão-de-obra escrava até a morte. Mas a atividade econômica desta natureza, mesmo que manifeste algumas características da produção capitalista, como a produção voltada para o mercado, a forma de organização da produção em série (engenho de açucar), não pode ser definida como capitalista porque seu núcleo não é dirigido para a acumulação de capital. As trocas desiguais entre a colônia e a matriz européia permitem à elite colonial uma vida rica no meio de uma população de miseráveis, mas impedem o ciclo de reprodução autônomo do capital. Os lucros vindos da exploração do patrimônio se transformam tão somente em renda para o consumo dessas mesmas elites, o que forma sua percepção da origem da riqueza e define toda estrutura social do país. A história econômica do Brasil é moldada pela predação dos recursos naturais abundantes, tão abundantes que pareciam inesgotáveis e o comércio fornecedor de escravos, outra atividade lucrativa, que parecia também fonte inexaurível de mão-de-obra.
Na visão que vai se consolidando, a riqueza se constitui na propriedade de terras e escravos, recursos levados ao esgotamento pela exploração ilimitada, na produção de matérias-primas primárias. A noção de que o trabalho gera a riqueza fica desse modo oculta sob o manto da propriedade, parecendo que dessa se origina a prosperidade. O lucro gerado pela atividade assim constituida é muito mais determinado pela não remuneração dos meios de produção, principalmente os naturais, como a fertildade do solo, as florestas, etc. do que pela racionalização capitalista da produção. Lembremos ainda que o trabalho produtivo durante a maior parte de nossa história foi realizado por escravos de origem africana, que eram considerados também propriedade e capital. Historicamente o nível técnico da atividade produtiva sempre foi precário e ineficiente, suficiente apenas para cobrir os custos e geram a renda para o consumo e reposição da mão-de-obra. O atraso técnico implicava em baixa produtividade, o que se converte, do ponto de vista dos recursos naturais, em grandes desperdícios.
A atividade econômica no Brasil ficou muitos séculos nesse limbo pré-capitalista e a visão de mundo que produziu é constituinte ainda de grande parte da ideologia dominante das elites nacionais. Com o vício perceptivo de que a origem da riqueza está no patrimônio e não no trabalho, outros vícios agregam-se a este formando uma percepção de mundo peculiar. A persistência das formas arcaicas de exploração que misturam modernidade com escravatura mostram a resistência que enfrenta no país o capitalismo industrial. À indústria foi negado por muito tempo o reconhecimento da capacidade de gerar riquezas deste lado do equador. Importava mais possuir do que produzir.
Como reforço dessa visão, a riqueza parece se multiplicar pela valorização passiva das propriedades na forma de terras e terrenos, e de outros ativos que magicamente aumentam de valor pela especulação. O investimento patrimonialista é sobretudo imobiliário e a maior parte do esforço se concentra na aquisição de propriedades de imóveis. Terras da União, terras públicas que são ocupadas ilegalmente, terrenos públicos que são cedidos gratuitamente, ou vendidos por valores simbólicos aos amigos do poder, despropriação violenta e criminosa de pequenos proprietários urbanos e rurais, concentração de terras para especulação são origem de grande parte da riqueza patrimonial das elites brasileiras.
Nessa visão patrimonialista, o estado é visto como o grande provedor de ativos e que a conquista do poder é a garantia da continuidade desse processo de acumulação primitiva de capital. O enriquecimento no Brasil é visto como o acúmulo de patrimônio por todo e qualquer meio e a práxis derivada deste processo é a corrupção. A troca de favores entre os detentores de postos de poder no aparelho do estado em todas as suas instâncias torna-se regra e perpetua o patrimonialismo. O crime torna-se atividade normal e normalizadora dos processos de enriquecimento. Sonegação de impostos, compras superfaturadas, tráfico de influência, tráfico de drogas, contrabando, obras publicas que valorizam regiões atingidas pela especulação, corrupção em todos os níveis do poder público todas as outras fraudes, compadrio, nepotismo, constituem-se não em desvios mas o núcleo do mecanismo de apropriação patrimonialista.
Muito tardiamente emerge a percepção de que a atividade produtiva nos moldes do capitalismo moderno também, mas não exclusivamente, produz riqueza na forma de mercadorias. Mas mesmo aqueles capitalistas nacionais que são proprietários de empresas produtoras de mercadorias, guardam uma relação de proximidade ideológica com as elites tradicionais e com ela forma alianças políticas para a conquista do estado. Também desejam a acumulação de patrimônio como objetivo final de sua atividade produtiva. É comum no Brasil, entre as empresas familiares, estas se constiturem em "empresas pobres de donos ricos" que procuram o lucro pelos mesmos mecanismos não capitalistas na sua atividade. A esperteza nacional se manifesta na busca por benefícios indiretos, não relacionados com a atividade principal. Esses benefícios podem ser na forma de isenção e incentivo fiscal ou sonegação pura e simples, podem ser na forma de trabalho escravo, no não recolhimento de encargos trabalhistas, no não pagamento de horas extras, na receptação de mercadorias roubadas ( o caso de roubo de cargas sob encomenda que virou uma grande indústria), nas compras fraudulentas, no fornecimento superfaturado às entidades públicas, nas licitações viciadas e cartelizadas, etc.. A lista é longa.
Mas o que se destaca desse quadro generalizante, mesmo que não completo, é o papel que o estado assume no processo de promover o enriquecimento daqueles que nele ocupam cargos de poder.
E a democratização do Brasil trouxe à cena novos atores que se candidatam, literalmente, a ocupar o poder para favorecimento de seus padrinhos e partidos.
Talvez essa nova rapinagem ou, dito de outra forma, esse neo-patrimonialismo seja uma etapa necessária ao amadurecimento da democracia brasileira, mesmo a um custo absurdo. Porque a democracia tem favorecido, mais do que inibido, as práticas criminosas de roubo do estado. Porque agora lideranças políticas emergentes que entram no jogo viciado pela porta legítima da eleição, também recorrem aos mecanismos criminosos para atender os interesses de seu grupo.
Porque, com a democracia, se multiplicaram os cargos públicos a serem ocupados politicamente e com eles as oportunidades para a fraude. O estado é fragmentado, leiloado de acordo com o cacife politico de cada grupo ou partido, formando feudos a serem explorados. Numa linguagem mais contemporânea, são "nichos de mercado" políticos, que têm por objetivo final permitir o enriquecimento dessas verdadeiras máfias pela espoliação do estado. Onde for possível fraudar e roubar, seguramente isso será tentado.
Por todas essas razões é que assistimos os discursos que quando falam em promover a educação, constroem-se escolas que nunca vão funcionar, que quando falam em saúde, constroem-se hospitais sem médicos nem equipamentos, quando falam em transporte constroem-se estradas e pontes que levam a lugar nenhum.
Se a qualidade do serviço público é precária é porque não é possível roubar dos salários de médicos, policiais e professores; então paga-se mal para gastar onde são maiores as chances de fraude, como nas compras e obras públicas.
O que é assombroso é perceber a ausência ou tibieza política dos grupos capitalistas emergentes beneficiados pela expansão e consolidação do mercado interno. Provavelmente ainda permanecem imersos dentro da ideologia patrimonialista sem perceber que esta tradição secular brasileira é um obstáculo a sua prosperidade. Por inércia e ou deslumbramento acabam aderindo a uma ideologia que deveriam combater. Surprendente é a falta de percepção deste grupo para os mecanismos e políticas públicas que favoreçam a continua expansão dos mercados internos e com ela a sua própria prosperidade. Apenas para exemplificar, uma reforma agrária capitalista com a democratização da propriedade da terra, transformaria esses pequenos novos proprietários em um gigantesco mercado consumidor de todo o tipo de mercadoria, incluindo aí desde insumos e máquinas agrícolas até artigos de varejo.
sábado, 11 de abril de 2009
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